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sábado, 31 de agosto de 2013

Novo Dia

 Iraci Matos



MADRUGADA...
Abre-se a porta para o novo dia
A madruga anuncia: Como o dia será?
Todo o universo se empenha, começa a se preparar
Para fazer um dia lindo e o mundo todo encantar.
Não deixando nenhum rastro do dia que se passou
fazendo novas as coisas, manhã após manhã.
Ainda na madrugada, o dia começa a planejar
pensa em todas as cores disponíveis para enfeitar
distribui flores mil, gorjeios de passarinhos
cinge o céu de tantas nuvens que brincam de desenhar
e a brincadeira do vento é justamente apagar.
Mas a nuvem nem se aborrece, 
prossegue, prossegue, prossegue o dia todo a brincar...
Para fazer toda a terra de verde se emoldurar
o dia manda a chuva suavemente molhar.
Mas ao sol recomenda: não brilhe tanto assim,
seus raios dourados seriam só para acariciar!
Então o dia pensou... Qual novidade inventar?
Deixarei que a chuva caia onde ensolarado está
e onde estiver o gelo, o sol irá raiar.
O vento deve dançar, nas grandes procelas do mar
a brisa vai desfilar, vai passear entre as flores
vai espalhar por aí os milhares de olores.
O dia assim se vai entre montanhas e vales
descendo e subindo ladeiras
atravessando cachoeiras, descortinando lugares.
Quando cansado se sente
de tanto se mostrar pra gente
descansa dormindo contente
num céu repleto de estrelas.
Deixa somente um recado:
Se você não me viu passar, 
eu volto amanhã...

Boa Noite!

Mistérios



O coração e os olhos
São intimamente ligados.
Um fala e o outro expressa
os sentimentos da alma.
Quando o coração fica triste
os olhos logo se abatem. 
E se o coração derrama
Seu amigo produz lágrimas.
Lágrimas misteriosas
envolvidas de emoção
cada uma tão distinta, 
parecem escritas à mão. Qual nada!
São ditas pelo coração.
São lágrimas de alegria, de felicidade e de amor.
Mas tem aquelas também, de tristeza, decepção e dor.
Os olhos são tão treinados que recebem esses recados
e executam com perfeição.
E todos os olhos se entreolham e entendem na hora
o recado do irmão.
E são apenas células em ação!
Que riqueza de detalhes, do autor da criação!

Vida


Vida...
Uma pintura em andamento.
Um edifício em construção.
Uma música sendo orquestrada.
Uma dança em formação.

Todas as artes envolvidas,
no grande teatro da vida.
Quantos atores alheios,
fazendo figuração...

Se todos soubessem o ritmo
da sublime criação,
tocavam melhor essa música
enfeitavam mais esse chão.

Davam cores à alegria, ao riso à fantasia. 
Pintavam de amor esses dias
Ah! se soubessem...
Nada teria fim!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Apenas eu...





De braços abertos pra vida, correndo na sua correria,

vibrando ao som de doces melodias, eu vou...

Onde vou chegar eu sei. Quando vou partir? Quem dera saber...

Mas vou derramando flores, colhendo jardins, 

enfeitando o mundo de mim!


No afã de olhar para o céu,
às vezes, tropeço em mim mesma.
  
Iraci Matos

Da janela do meu quarto




Passarinho, passarinho, onde vais tão inquieto?

Te vejo da minha janela, voando livre no céu.

Tens o mundo aos teu pés, pousas onde queres, 

cantas o dia todo, ignoras a realidade cruel. 

Voa, voa passarinho, enfeita um pouco o meu dia 

de graça e de cantoria, de cores e alegria! 

Ouço daqui tua música, é como festa pra mim! 

Onde vais tão inquieto, passarinho, passarinho?

Os Dia São Maus

Onde buscar a paz? Onde buscar prazer?
Onde buscar alegria? Onde buscar viver? 
Todos os nossos anseios se esvaem no dia a dia, 
Já não restam soluções para um viver de agonia. 
Cultiva-se a morte, mata-se a vida! 
Ninguém se dá conta que a vida se foi, 
deixando um rastro de sangue pisado por todos nós? 
Regada por muitas lágrimas, que tenta lavar a dor. 
Uma dor que se mistura não se sabe direito de que: 
De se perder um amado ou de ver um amado se perder! 
A morte é exaltada em tudo que se pode vê: 
Em caveiras espalhadas, na moda, nos brinquedos e no lazer. 
A morte é o prato do dia, é a música das paradas, a reza da Ave Maria. 
É a notícia da manhã, da noite e do meio dia. 
Se estende ininterruptamente, sem dá tréguas para o sono e pra um dia diferente. 
O que há com a vida da gente? A moda agora é morrer? 




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Porque?



Por que o sonho tem que conviver com a realidade,
a certeza com a incerteza, a finitude com o eterno, 
o coração com o cérebro? 
Insuportavelmente doloroso, profundamente misterioso!

Flores do Campo







Florzinhas do campo são perfeitas. 
Para quem? Para o campo.
Ninguém as colhe, ninguém lhes quer bem.
Florzinhas do campo, singelas e belas, perfumam e enfeitam 
quem passa por elas.
Mas ficam paradas, empoeiradas, 
acariciadas pela brisa, pelo sol, pela lua, por Deus que as fez. 
E sozinhas vão...




In Memoriam


Pai Afonso 

Pai, brincando de esconde, esconde, fizeste a infância passar! 
Alegria, desespero, chorinho, na hora de procurar. 
Painho, cadê você? Era certo que você estava lá!
Um dia, segurando em sua mão, vi quando você se escondeu... 
Chorei, chamei, mas em vão, você nunca mais apareceu. 
Onde, onde você está? 
Será que em uma estrela, me esperando pra brincar? 
Painho, um dia eu te acho...

O vento e o Pensamento



O VENTO E O PENSAMENTO VIVEM NA MESMA DIMENSÃO: INVISÍVEIS E VELOZES LEVANDO A IMAGEM DA GENTE.


O VENTO E O PENSAMENTO VIVEM NA 

MESMA DIMENSÃO: 

INVISÍVEIS E VELOZES 

LEVANDO A IMAGEM DA GENTE.

Nossos Segredos





As palavras são eternamente gravadas nas páginas do universo. 
Ressoam na alma e no coração. 
Vibram como cordas de violão e vívidas nos fazem recordar 
dos momentos lúdicos da hora do brincar:
"Mais um, mais um" ; "de novo, de novo"; "filma eu deitada"; 
Frases soltas, fácil de relembrar:
"Quando mamãe acorda..." "Deita rau!" 
Todas com sua devida entonação que somente nós, 
sabemos segredar. 
Hoje, domingo, "é hora de acordar, é dia de igreja!" 
Não esqueçam, sempre será!





Insisto em não ser uma cópia humana, por isso erro demais. 
Mas, valerá a pena ter experimentado, 
ter tentado fazer a minha história. 
Ao menos será minha.

Longe...


Aracaju não é longe...
Goiás não é longe... 
Londres não é longe... 

Longe, é o vizinho, que não percebe o teu olhar 
e não vê dos teus olhos uma lágrima rolar. 
Longe, é quem não vê, quem na calçada está. 
Quem passa despercebido da fome e do bem estar. 
Longe, é o filho, que vive perdido dentro de si,
 no fundo do poço sem poder sair. 
Longe, é a mãe, que para sobreviver,
 passa o dia fora sem ver o filho crescer. 
Longe é um caminho tão curto, 
pertinho de mim, juntinho de você. 
Longe não são as horas. 
longe não são os dias. 
Longe não é o tempo e nem a geografia. 
Longe, é apenas o pensamento. 
Pensando em você e você em mim, 
longe jamais estarás.










O pensamento voa... 
E nas suas asas, vou vendo a vida passar...

Iraci Matos


Manu e Rau

Ouço o eco da infância e o riso da adolescência. 
Ouço o eco das perguntas desconcertantes e das afirmações efêmeras.
Ouço o choro e a alegria. Ouço o eco dos louvores e do violão. 

Ouço Manu e Rau

Vem coração, vem!
 Derrama sobre a escrita da minha vida, toda tua emoção. 
Grita, coração, grita! Eu não vou te ouvir...

Gente

GENTE...


Não sei  porque nascem as pessoas
que nunca são amadas,
não foram desejadas
e não são queridas.

Talvez para completarem o enigmático
 quebra-cabeça da vida.

Peças que não compõem a trama,
ficam nos cantos,
não fazem  parte do panorama.

Às vezes nem têm cor
e por opção do autor,
até fazem parte do cenário.
Mas, seu lugar, fica fora da observação, 
da sensibilidade do olhar.

E pensar que ainda assim são gente. Gente?

 Bem... São partes  do quebra-cabeça, não?

quarta-feira, 28 de agosto de 2013