SEMENTEIRA DE AMOR
Constâncio C. Vigil
Ergue-te, semeador!
É hora de começar a tarefa
A campânula do céu vibra cada vez mais próxima e já ressoa na voz dos galos
Adiante de ti está o Infinito.
Sobre tua cabeça e debaixo dos teus pés é, ainda o Infinito que está.
Retém a luz em teu espírito.
Acede o fogo em teu coração.
Teus bois são o amor e a justiça, e tua campina a verdade.
Rasga a terra dura, de norte a sul e de oriente a ocidente
Como ele disse, semeia a palavra do bem e do amor.
Chegará o dia em que a semente abrir-se-á, tal uma benção sobre a terra.
Aqui nada busques e nada esperes. O ar do céu te alimentará...
Momentos, são só momentos. São gotas na memória, pingos no pensamento. (Iraci Matos)
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
O PODER DA ORAÇÃO
Júlio Ribeiro
Só desconhece o poder da oração quem desconhece grandes amarguras.
A oração é a alavanca do espírito.
Quando o fardo de viver pesa como chumbo sobre a alma quase asfixiada,
quando o círculo de ferro dos dissabores se estreita, envolvendo-a, tocando-a,
parecendo prestes a aniquilá-la, o homem prostra-se e volve um olhar para Deus...
As frases que mal traduzem o pensamento atribulado rompem-lhe dos lábios múrmuras e inconexas...
E um bálsamo suavíssimo de esperanças percorre-lhe as veias ressequidas;
na escuridão que o rodeia esboça-se um albor tênue, difunde-se, tinge de rosicler
o horizonte alargado; sopram auras de vida; é um alvorecer.
E o homem levanta-se revigorado, atira-se à luta, derriba obstáculos, vence, triunfa.
Contos da Infâcia
O MENINO RICO E O MENINO POBRE (Coelho Neto)
Setados na mesma pedra, à beira d'água, disse o menino ao pequenino:
_ Que lindos cabelos tens! Parecem de ouro.
_ Se os meus cabelos fossem de ouro, minha mãe que é tão boa, não trabalharia tanto.
_ Tens mãe! Exclamou o menino maravilhado.
O menino corou como a uma afronta.
- Se tenho mãe... Como não? Ela é que me peteia os cabelos; ela é que me conta histórias;
ela é quem me cura quando adoeço; ela é que me concerta a roupa e me adormece ao colo cantando, quando, nas noites escuras, tremo de medo ouvindo piar a coruja. Tenho mãe, como não? Também não sou tão pobre assim.
_ Pois eu não tenho! Suspirou o menino. Minha mãe morreu quando eu nasci. estas terras, com tudo que nelas há, são do meu pai, que só tem a mim. No palácio em que moro já se hospedou um príncipe
com toda a sua corte. O salão em que durmo é todo forrado de seda com lustres, de ouro e tapetes onde os pés se afogam.
São tantos os meus criados que a muitos, tenho por estranhos e pasmo quando me pedem ordens.
_ E quem lhe conta histórias?
_ Histórias? leio-as nos livros.
_ Quem o veste e penteia?
_ A velha aia.
_ Quem o acalenta à noite, quando a coruja chirria e o vento geme às árvores?
_ Rezo à Nossa Senhora.
_ Quando adoece quem o cura?
_ Os médicos.
_ E quando a tristeza entra em seu coração, quem o consola?
_ Choro.
_ Levantou-se então, o menino pobre e tomando nas mãos do menino milionário, encarou-o compadecido, com os olhos arrasados d'água.
_ Porque choras? Que tens? perguntou o milionário comovido.
_ Choro de pena, porque nunca pensei que houvesse no mundo outro mais pobre do que eu.
OBS: Encontrei este conto no livro Aprenda Conversando -Os Mais Belos Contos de Maria Isabel Santos e Vera Margarida Santos. Editora do Brasil na Bahia S.A
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